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20 de dezembro de 2017 14:47

Alunos de Arquitetura promovem recuperação de áreas no Coque e na Ilha do Leite

Ações foram realizadas junto com a ONG Porto Social e visam levar arte a espaços públicos degradados

Através de uma parceria com a organização não governamental Porto Social, professores e alunos do curso de Arquitetura da FG estão promovendo ações no centro do Recife, mais especificamente nos bairros do Coque e Ilha do Leite.  Cinco professores  (Lúcia Siqueira, que leciona Intervenção em Áreas de Interesse Social; Luziana Medeiros e Ivan Marques, que ensinam Urbanismo II e Arquitetura da Paisagem;  Carolina Magalhães e Carolina Mapurunga, que comandam o Escritório Modelo de Arquitetura) passaram todo o semestre identificando potenciais e problemáticas da área, em micro, média e macro escalas, e criaram junto com os estudantes diretrizes que preveem ações em curto, médio e longo prazos para melhorar os espaços públicos e, consequentemente, as vidas das pessoas.

A última destas atividades aconteceu na segunda-feira, 18 de dezembro, dentro do projeto Vale Social.  Após detectar o abandono da praça Dom Bosco (que funciona como “rotatória” para cinco ruas na Ilha do Leite), os alunos perceberam também que ainda assim haviam pessoas no bairro que utilizavam o espaço para descansar e conversar. “Mesmo degradada, ela guardava um potencial de uso no qual resolvemos investir”, conta Ivan Marques.

O grupo, então, recuperou os bancos existentes no local e criou espaços extras com pallets. Em janeiro, a ideia é grafitar alguns muros próximos que já foram pintados para esta finalidade. E para levar ainda mais vida à praça, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente cedeu espécimes de árvores e os alunos plantaram mudinhas de falsa íris (Trimezia martinicensis) e panamá (Alpinia purpurata). As flores foram distribuídas em sala no início do semestre e cuidadas pessoalmente por cada estudante.

“Queremos mobilizar os atores sociais que atuam na área e buscar uma gestão compartilhada do espaço, uma espécie de condomínio”, acrescenta Ivan, destacando que na Ilha do Leite existem muitas clínicas e consultórios que podem adotar os espaços públicos da região, e que os demais atores também podem contribuir de acordo com suas possibilidades e interesses.

Em outubro, a FG já tinha participado de uma ação do projeto Mais Cidadania, também em parceria com o Porto Social. Uma área no entorno de uma creche, no Coque, também foi revitalizada com pinturas e mobiliário feito com pallets. “A ideia geral é se inspirar na experiência de Wynwood Walls, um bairro em Miami que era degradado e cheio de espaços abandonados e se transformou numa verdadeira exposição de arte contemporânea ao ar livre”, destaca Luziana Medeiros.

“Através deste tipo de ação, é possível despertar a cidadania, a responsabilidade que todos temos com os espaços públicos e com as demais pessoas e que, infelizmente, é algo que está se perdendo, porque muitos vivem presos em edifícios, em condomínios e esquecem que fazem parte de um todo muito maior”, afirma Ivan Marques. “Esta postura de buscar um impacto na sociedade, na realidade, é constante dentro do curso de Arquitetura  da FG e se constitui como uma prática de todas as disciplinas”, complementa Lúcia Siqueira.